Para que a promoção na sua fazenda siga uma regra, e não o humor do dia, escreva essa regra numa folha de papel e entregue uma cópia a cada empregado que pode subir. Na folha, liste os cargos em ordem, do ajudante ao gerente, como os degraus de uma escada. Ao lado de cada cargo, escreva o que a pessoa precisa saber fazer para chegar nele e o tempo mínimo que ela precisa passar no cargo de baixo antes de pedir a promoção. No pé da folha, anote a data em que você a entregou. Essa é a folha de carreira: nela vai a regra para subir, não a promessa de que alguém vai ser promovido.
Se você já tem a descrição escrita de cada cargo (uma página com as responsabilidades de quem ocupa aquele cargo), a primeira versão sai numa tarde. Se não tem, escreva as descrições antes, porque os requisitos saem delas. Quem decide quem sobe, e quando, continua sendo você. O que muda é que todos conhecem a regra antes de a vaga abrir. No dia em que entregar a folha, leia-a junto com cada empregado.
Sem a folha de carreira, a regra fica na sua cabeça e pode mudar de um dia para o outro. Um ajudante pode passar anos como ajudante. Quando abre a vaga de encarregado, a escolha sai por confiança ou por tempo de casa, e ninguém sabia antes o que era preciso. O bom empregado que queria crescer não enxerga caminho e ouve “vamos ver” todo ano. Um dia ele vai para a fazenda vizinha, que ofereceu um cargo com mais responsabilidade. Você perde quem treinou e recomeça do zero com um contratado novo.
Por que promover por tempo de casa ou pelo humor do dia faz você perder quem treinou?
Porque o empregado com ambição fica, em parte, pela chance de subir, e quando a promoção sai por tempo de casa ou pelo humor do dia ele não enxerga essa chance. O Teagasc, órgão público de pesquisa e assistência técnica rural da Irlanda, vai na mesma linha no seu manual de mão de obra rural, num capítulo escrito por Marion Beecher e três colegas. Ele coloca um caminho de carreira claro entre as coisas que motivam o empregado, ao lado de salário justo e de autonomia no próprio trabalho, e lembra que a motivação ajuda a segurar gente.
De onde sai o requisito para subir de cargo?
Sai das tarefas do cargo de cima, e não do empregado ideal que você imagina nem da pessoa que está na sua frente. No manual, o Teagasc escreve que o empregado deve ter as habilidades e o conhecimento básicos para fazer o serviço que se espera dele, e que isso vale também quando a responsabilidade do empregado muda. Subir de cargo é uma mudança assim: a pessoa passa a ter tarefas novas, e é do cargo novo que você tira o requisito.
Por isso a folha de carreira se monta a partir das descrições de cargo. Se ainda não tem nenhuma, outro artigo trata de como fazer a descrição escrita da responsabilidade de cada cargo, nível por nível. Na folha de carreira, você coloca os cargos em ordem e escreve, para cada um, o que a pessoa precisa saber fazer para chegar nele. No manual do Teagasc, Beecher e colegas dão exemplos de habilidades técnicas que permitem ao empregado assumir mais responsabilidade, como decidir a hora de trocar as vacas de piquete ou manter os registros da fazenda. Na sua folha, escreva cada requisito como uma habilidade desse tipo, que a pessoa pode aprender, e não como anos de espera.
Os cargos da escada são os mesmos do organograma, o desenho de quem responde a quem; a folha de carreira acrescenta como a pessoa passa de um cargo para o seguinte. Se ainda não tem organograma, uma lista simples dos cargos, do mais baixo ao mais alto, basta para começar. Outro artigo trata de como montar o organograma e a descrição de cargos, se você quiser fazer isso antes, e outros artigos sobre gestão de pessoas na fazenda tratam de contratar, treinar e segurar empregados.
Por que o tempo mínimo entre um degrau e outro vai na folha?
Porque sem ele o “vamos ver” não tem fim, e o empregado não consegue distinguir um “ainda não” sincero de um “nunca”. Com o tempo mínimo na folha, ele sabe a partir de quando pode pedir a promoção e se prepara para essa data em vez de adivinhar. O serviço de extensão rural da Universidade de Wisconsin-Madison, nos Estados Unidos, tem um guia sobre plano de carreira para empregados de fazenda, escrito por Jim Versweyveld. Nele, Versweyveld lembra que os empregados querem saber qual é a próxima vaga a que podem chegar. Com o tempo mínimo, eles sabem também quando podem pedir essa vaga.
No mesmo guia, Versweyveld avisa: se você não tem um caminho de carreira definido, corre o risco de perder o empregado para outro empregador que tenha.
Nem todo passo é para cima. Versweyveld também observa que um empregado com jeito para mecânica pode ser um ótimo candidato a uma mudança lateral para a equipe de manutenção de máquinas, em vez de virar encarregado. Escreva na folha também o que essa mudança exige, para que o empregado cujo próximo passo não é subir também enxergue um caminho.
| Cargo | Responsabilidade de quem ocupa o cargo | O que a pessoa já precisa saber fazer para chegar ao cargo | Tempo mínimo no cargo de baixo |
|---|---|---|---|
| Ajudante | As tarefas que recebe, feitas do jeito que lhe ensinaram | Chega no horário e usa as ferramentas com segurança, o que você confere ao contratar | Nenhum: é o cargo em que você contrata |
| Tratador | Os animais de um setor da fazenda, no dia a dia | Sabe preparar e distribuir o trato, perceber cedo um animal doente e anotar os nascimentos, tratamentos e mortes do setor | X meses como ajudante |
| Encarregado | O trabalho de um setor e das pessoas que trabalham nele | Sabe organizar o serviço do dia no setor, conferir o trabalho dos outros e tomar as decisões pequenas sem precisar chamar você | X meses como tratador |
| Gerente | O resultado da pecuária inteira | Sabe planejar o ano da pecuária, trabalhar dentro de um orçamento e prestar contas do resultado | X meses como encarregado |
Na sua folha, troque cada X pelo número de meses que você está disposto a cumprir, e anote a data no pé.
Quando a folha de carreira é mal entendida?
Quando o empregado a lê como promessa de que a promoção vai sair, ou de que vai sair numa data certa. O tempo mínimo é só o mais cedo que a pessoa pode pedir a promoção; ao escrevê-lo, você não se compromete a promover ninguém nessa data, nem depois. Se você escrever o tempo mínimo como garantia, o empregado vai cobrar uma promoção que você nunca quis prometer.
A folha também não é promessa de que a pessoa vai ficar. Com o caminho escrito, a sua conversa com cada empregado sobre subir de cargo tem mais chance de correr bem; a decisão de ficar continua sendo dele.
Salário não entra nesta folha. Quanto se paga em cada cargo, e a regra para aumentar o salário dentro do mesmo cargo, vão numa folha à parte; outro artigo trata de como montar a faixa salarial e a regra de aumento. Se a lei trabalhista ou a convenção coletiva liga o salário ou as tarefas de alguém ao cargo que ele ocupa, pergunte ao seu advogado ou ao seu contador.
Na folha você escreve só o que a promoção exige. Se um empregado já mostra isso, quem julga é você, na conversa em que os dois se sentam com a descrição do cargo que ele quer alcançar.
Por onde começar
A primeira versão sai numa tarde, no papel, com as descrições de cargo na mesa; não precisa de programa de computador. Se ainda não tem as descrições escritas, escreva-as antes.
Com a folha de carreira, você responde à pergunta que o seu melhor empregado se faz: ficar nesta fazenda leva a algum lugar? Deixar essa resposta escrita antes de a vaga abrir é uma das partes mais baratas da gestão de fazendas: custa uma tarde e nenhum dinheiro.
Guardar o caminho na cabeça parece deixar você livre para premiar quem merecer. Na prática, você decide do zero todo ano; o bom empregado entende o seu silêncio como sinal de que não há como subir, e quem vai embora leva junto o treinamento que recebeu. Escrever os degraus não tira essa liberdade: quem decide quem sobe continua sendo você, e cada empregado sabe o que precisa alcançar.