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O caminho para subir de cargo na fazenda está escrito?

Quando a regra para subir de cargo está só na sua cabeça, o bom empregado não enxerga como crescer e vai para uma fazenda onde enxergue. Escreva a regra numa folha de papel: para cada cargo, o que a pessoa precisa saber fazer para chegar nele e o tempo mínimo no cargo de baixo. Depois entregue uma cópia a cada empregado que pode subir.

Publicado em Atualizado em 9 min
Neste artigo

Para que a promoção na sua fazenda siga uma regra, e não o humor do dia, escreva essa regra numa folha de papel e entregue uma cópia a cada empregado que pode subir. Na folha, liste os cargos em ordem, do ajudante ao gerente, como os degraus de uma escada. Ao lado de cada cargo, escreva o que a pessoa precisa saber fazer para chegar nele e o tempo mínimo que ela precisa passar no cargo de baixo antes de pedir a promoção. No pé da folha, anote a data em que você a entregou. Essa é a folha de carreira: nela vai a regra para subir, não a promessa de que alguém vai ser promovido.

Se você já tem a descrição escrita de cada cargo (uma página com as responsabilidades de quem ocupa aquele cargo), a primeira versão sai numa tarde. Se não tem, escreva as descrições antes, porque os requisitos saem delas. Quem decide quem sobe, e quando, continua sendo você. O que muda é que todos conhecem a regra antes de a vaga abrir. No dia em que entregar a folha, leia-a junto com cada empregado.

Sem a folha de carreira, a regra fica na sua cabeça e pode mudar de um dia para o outro. Um ajudante pode passar anos como ajudante. Quando abre a vaga de encarregado, a escolha sai por confiança ou por tempo de casa, e ninguém sabia antes o que era preciso. O bom empregado que queria crescer não enxerga caminho e ouve “vamos ver” todo ano. Um dia ele vai para a fazenda vizinha, que ofereceu um cargo com mais responsabilidade. Você perde quem treinou e recomeça do zero com um contratado novo.

Por que promover por tempo de casa ou pelo humor do dia faz você perder quem treinou?

Porque o empregado com ambição fica, em parte, pela chance de subir, e quando a promoção sai por tempo de casa ou pelo humor do dia ele não enxerga essa chance. O Teagasc, órgão público de pesquisa e assistência técnica rural da Irlanda, vai na mesma linha no seu manual de mão de obra rural, num capítulo escrito por Marion Beecher e três colegas. Ele coloca um caminho de carreira claro entre as coisas que motivam o empregado, ao lado de salário justo e de autonomia no próprio trabalho, e lembra que a motivação ajuda a segurar gente.

De onde sai o requisito para subir de cargo?

Sai das tarefas do cargo de cima, e não do empregado ideal que você imagina nem da pessoa que está na sua frente. No manual, o Teagasc escreve que o empregado deve ter as habilidades e o conhecimento básicos para fazer o serviço que se espera dele, e que isso vale também quando a responsabilidade do empregado muda. Subir de cargo é uma mudança assim: a pessoa passa a ter tarefas novas, e é do cargo novo que você tira o requisito.

Por isso a folha de carreira se monta a partir das descrições de cargo. Se ainda não tem nenhuma, outro artigo trata de como fazer a descrição escrita da responsabilidade de cada cargo, nível por nível. Na folha de carreira, você coloca os cargos em ordem e escreve, para cada um, o que a pessoa precisa saber fazer para chegar nele. No manual do Teagasc, Beecher e colegas dão exemplos de habilidades técnicas que permitem ao empregado assumir mais responsabilidade, como decidir a hora de trocar as vacas de piquete ou manter os registros da fazenda. Na sua folha, escreva cada requisito como uma habilidade desse tipo, que a pessoa pode aprender, e não como anos de espera.

Os cargos da escada são os mesmos do organograma, o desenho de quem responde a quem; a folha de carreira acrescenta como a pessoa passa de um cargo para o seguinte. Se ainda não tem organograma, uma lista simples dos cargos, do mais baixo ao mais alto, basta para começar. Outro artigo trata de como montar o organograma e a descrição de cargos, se você quiser fazer isso antes, e outros artigos sobre gestão de pessoas na fazenda tratam de contratar, treinar e segurar empregados.

Por que o tempo mínimo entre um degrau e outro vai na folha?

Porque sem ele o “vamos ver” não tem fim, e o empregado não consegue distinguir um “ainda não” sincero de um “nunca”. Com o tempo mínimo na folha, ele sabe a partir de quando pode pedir a promoção e se prepara para essa data em vez de adivinhar. O serviço de extensão rural da Universidade de Wisconsin-Madison, nos Estados Unidos, tem um guia sobre plano de carreira para empregados de fazenda, escrito por Jim Versweyveld. Nele, Versweyveld lembra que os empregados querem saber qual é a próxima vaga a que podem chegar. Com o tempo mínimo, eles sabem também quando podem pedir essa vaga.

No mesmo guia, Versweyveld avisa: se você não tem um caminho de carreira definido, corre o risco de perder o empregado para outro empregador que tenha.

Nem todo passo é para cima. Versweyveld também observa que um empregado com jeito para mecânica pode ser um ótimo candidato a uma mudança lateral para a equipe de manutenção de máquinas, em vez de virar encarregado. Escreva na folha também o que essa mudança exige, para que o empregado cujo próximo passo não é subir também enxergue um caminho.

Uma escada de exemplo na pecuária de uma fazenda, com quatro cargos
Cargo Responsabilidade de quem ocupa o cargo O que a pessoa já precisa saber fazer para chegar ao cargo Tempo mínimo no cargo de baixo
Ajudante As tarefas que recebe, feitas do jeito que lhe ensinaram Chega no horário e usa as ferramentas com segurança, o que você confere ao contratar Nenhum: é o cargo em que você contrata
Tratador Os animais de um setor da fazenda, no dia a dia Sabe preparar e distribuir o trato, perceber cedo um animal doente e anotar os nascimentos, tratamentos e mortes do setor X meses como ajudante
Encarregado O trabalho de um setor e das pessoas que trabalham nele Sabe organizar o serviço do dia no setor, conferir o trabalho dos outros e tomar as decisões pequenas sem precisar chamar você X meses como tratador
Gerente O resultado da pecuária inteira Sabe planejar o ano da pecuária, trabalhar dentro de um orçamento e prestar contas do resultado X meses como encarregado

Na sua folha, troque cada X pelo número de meses que você está disposto a cumprir, e anote a data no pé.

Quando a folha de carreira é mal entendida?

Quando o empregado a lê como promessa de que a promoção vai sair, ou de que vai sair numa data certa. O tempo mínimo é só o mais cedo que a pessoa pode pedir a promoção; ao escrevê-lo, você não se compromete a promover ninguém nessa data, nem depois. Se você escrever o tempo mínimo como garantia, o empregado vai cobrar uma promoção que você nunca quis prometer.

A folha também não é promessa de que a pessoa vai ficar. Com o caminho escrito, a sua conversa com cada empregado sobre subir de cargo tem mais chance de correr bem; a decisão de ficar continua sendo dele.

Salário não entra nesta folha. Quanto se paga em cada cargo, e a regra para aumentar o salário dentro do mesmo cargo, vão numa folha à parte; outro artigo trata de como montar a faixa salarial e a regra de aumento. Se a lei trabalhista ou a convenção coletiva liga o salário ou as tarefas de alguém ao cargo que ele ocupa, pergunte ao seu advogado ou ao seu contador.

Na folha você escreve só o que a promoção exige. Se um empregado já mostra isso, quem julga é você, na conversa em que os dois se sentam com a descrição do cargo que ele quer alcançar.

Por onde começar

A primeira versão sai numa tarde, no papel, com as descrições de cargo na mesa; não precisa de programa de computador. Se ainda não tem as descrições escritas, escreva-as antes.

Com a folha de carreira, você responde à pergunta que o seu melhor empregado se faz: ficar nesta fazenda leva a algum lugar? Deixar essa resposta escrita antes de a vaga abrir é uma das partes mais baratas da gestão de fazendas: custa uma tarde e nenhum dinheiro.

Guardar o caminho na cabeça parece deixar você livre para premiar quem merecer. Na prática, você decide do zero todo ano; o bom empregado entende o seu silêncio como sinal de que não há como subir, e quem vai embora leva junto o treinamento que recebeu. Escrever os degraus não tira essa liberdade: quem decide quem sobe continua sendo você, e cada empregado sabe o que precisa alcançar.

Procedência

Deriva de
  1. Beecher, M., Kelly, P., Deming, J., O'Brien, B., Developing an Employee, Chapter 9, Teagasc Farm Labour Manual, Teagasc, 2017
  2. Versweyveld, J., Creating Career Paths For Your Farm Employees, University of Wisconsin-Madison Division of Extension
O que este artigo cobre
Escrever, para cada cargo da fazenda, o que o empregado precisa saber fazer para ser promovido a ele, a partir da descrição escrita de cada cargo; marcar o tempo mínimo no cargo de baixo; e datar a folha no dia em que você a entrega a cada empregado que pode subir.
O que ele não cobre
Quanto se paga em cada cargo, que vai numa folha de salários à parte. Quem responde a quem, que é o organograma. Se um empregado específico já merece subir hoje. Se a lei trabalhista ou a convenção coletiva liga o salário ou as tarefas de alguém ao cargo que ele ocupa: pergunte ao seu advogado ou contador. Não promete que alguém fique na fazenda.
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Como citar este artigo

RURIVIA. O caminho para subir de cargo na fazenda está escrito? [S. l.], 8 set. 2026. Disponível em: https://rurivia.com/pt-br/biblioteca/pessoas/plano-de-carreira-escrito/. Acesso em:


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