Para saber quanto do que entrou na conta é receita de verdade, passe pelos depósitos do período um a um e marque cada um como receita ou não. No extrato do banco, a venda da safra e um empréstimo aparecem do mesmo jeito. O empréstimo cai como depósito, o trator vendido cai como depósito, o dinheiro que você trouxe da poupança cai como depósito, e cada um faz o ano parecer maior do que o que a fazenda produziu e vendeu. O resultado é uma folha de classificação das entradas: uma página com cada depósito do período marcado como receita ou não, o motivo ao lado e a soma só das linhas de receita.
É no ano em que o saldo está ótimo que fica mais fácil contar todo depósito como receita. Entrou um empréstimo, o trator velho foi vendido, o saldo é o melhor em anos. Aí você compra uma plantadeira, contrata mais um peão ou tira mais para a casa em cima de um dinheiro que a produção nunca gerou.
Por que o dinheiro que entrou não é o mesmo que receita?
O dinheiro que entrou não é o mesmo que receita porque no depósito fica só a chegada do dinheiro, não de onde ele veio. Receita é o que a fazenda ganhou produzindo e vendendo: a safra, os animais, o leite, o serviço feito com a máquina da fazenda para um vizinho. O guia de extensão da Universidade de Arkansas sobre o demonstrativo de resultado da fazenda deixa na receita só o que a fazenda produziu e vendeu. Ele pede ao produtor rural que registre como receita apenas o que vem do negócio da fazenda no ano. A Universidade de Wisconsin resume a mesma ideia numa linha: no demonstrativo de resultado vai o valor financeiro da produção da fazenda no ano.
Dinheiro emprestado, o preço de um bem que a fazenda já tinha e o dinheiro trazido de outra conta também chegam como depósito, e nenhum deles é produção que a fazenda vendeu.
Quais entradas não são receita?
Três tipos de depósito parecem receita e não são, cada um por um motivo. O primeiro é o dinheiro emprestado: o fisco americano (Internal Revenue Service), no guia tributário do agricultor, diz que em regra, um empréstimo que você recebe não é lançado como receita, porque ele tem de ser pago de volta. O segundo é a venda de um bem de capital: o guia de Arkansas inclui a venda da safra colhida, mas deixa de fora itens como terra ou máquina vendida, porque o bem vendido é valor que a fazenda já tinha e só virou dinheiro. Como essa venda entra no seu imposto é pergunta para o seu contador.
O terceiro é o dinheiro movido entre as suas próprias contas, ou colocado na fazenda do seu bolso. Não é receita porque nada foi produzido nem vendido para ele entrar.
| Depósito | Como reconhecer | Por que não é receita |
|---|---|---|
| Dinheiro emprestado | Um empréstimo ou financiamento caiu na conta | Tem de ser pago de volta |
| Venda de um bem de capital | Terra, máquina ou matriz vendida | Você transformou em dinheiro algo que já tinha |
| Transferência ou dinheiro que você colocou | Dinheiro movido entre as suas contas, ou trazido do seu bolso | Nada foi produzido nem vendido para ele entrar |
Quais entradas são receita, mesmo sem ser uma venda comum?
Alguns depósitos que não são venda de safra contam como receita, e é neles que a marcação feita às pressas erra. O guia de Arkansas conta, dentro da receita, os pagamentos do governo, incluindo a indenização do seguro da lavoura, e a receita de serviço prestado a terceiros. Nenhum deles foi emprestado, trazido de outra conta ou obtido com a venda de um bem da fazenda.
A indenização do seguro entra no lugar da colheita que não veio; o serviço prestado é trabalho que a fazenda vendeu com as próprias máquinas e a própria gente, como a colheita feita na lavoura de um vizinho. Nenhum dos dois é venda de grão, e os dois são receita.
Alguns depósitos pequenos erram para o outro lado: parecem receita e não são. O estorno de um insumo que você devolveu é um custo voltando, e por isso vai abatido da despesa que ele desfaz. O rendimento que o banco credita na conta pode contar como renda na declaração de imposto, mas é ganho sobre dinheiro, não produção que a fazenda vendeu. Cada um soma um pouco ao total do ano, uma linha por vez, e é por isso que o motivo vai ao lado de toda linha, não só ao lado do empréstimo.
Por que um total inflado atrapalha as suas decisões?
Um total inflado atrapalha as suas decisões porque você decide olhando o total, não as linhas por trás dele. O guia de Wisconsin mantém a receita da operação separada dos ganhos e perdas de capital, e com um número que mistura os dois você não sabe nem como foi a produção nem quanto rendeu a venda. Se você lê um empréstimo e um trator vendido como receita, está lendo um ano de produção que não aconteceu, e aí compra a plantadeira, contrata o peão ou tira mais para a casa em cima disso.
Cada tipo de depósito distorce a conta do seu jeito. O empréstimo aumenta o total deste ano e pesa no próximo, quando as parcelas começam a sair; contado como receita, o mesmo dinheiro parece renda agora e ainda precisa ser pago depois. A venda de uma máquina não se repete e pode até ser sinal de ano ruim, porque muitas vezes é a fazenda sem caixa que vende a máquina para tapar o buraco. O dinheiro trazido da sua poupança é dinheiro que você já tinha, contado de novo.
O que fica fora da folha?
Se o empréstimo ou a venda foi uma boa decisão fica fora da folha. A fazenda pode ter todos os motivos para tomar crédito ou vender uma máquina. Na folha você só marca aquele depósito como financiamento ou como bem transformado em dinheiro, para ele não ser contado como produção. Tomar ou não o empréstimo, e de quanto, é outra decisão.
O dinheiro que você coloca na fazenda do próprio bolso não é receita que a fazenda ganhou, assim como o que você tira para viver não é despesa da fazenda. Marque os dois como transferência, para nenhum ser lido como produção. A marcação fica bem mais fácil quando o dinheiro da fazenda está separado do da família, numa conta de banco usada só para a fazenda; se a fazenda ainda não tem uma, comece por ela.
O que você precisa antes de começar, e o que vem depois?
Você precisa do extrato da conta da fazenda no período e da lista das vendas que fez nele. Se você mantém um registro escrito de cada venda, com data, comprador e valor, a maior parte das linhas de receita já está pronta. O que a folha de classificação acrescenta é o motivo ao lado de todo o resto que entrou na conta: o empréstimo, a máquina, a transferência.
O total de receita a que você chega é o número para usar depois. Comparar a receita de dois anos, mês a mês, para separar o que foi crescimento do que foi só mudança de preço só funciona se a receita de cada ano foi limpa desses depósitos antes; senão, a venda de uma máquina vira um ano de alta que a fazenda nunca teve.
Conferir se o número por trás de uma decisão grande veio do que a fazenda vendeu, e não do que ela tomou emprestado, é uma parte pequena e frequente da gestão de uma fazenda. Há mais sobre o dinheiro da fazenda na parte financeira da biblioteca.
Por onde começar
Uma tarde com o extrato do período e a sua lista de vendas na mesa, e no fim dela a folha está pronta. Nada aqui precisa de programa nem de contador, só da conta que a fazenda já usa.
Num ano com empréstimo ou venda de máquina, o número a que você chega é menor do que o que a conta mostrava. É a parte do que entrou que a fazenda produziu e vendeu, escrita em vez de chutada, e é o número para planejar o ano que vem.