Pular para o conteúdo
Diagnóstico
BibliotecaPlanejamento

De quantas fontes a sua receita realmente depende?

Contar as atividades da fazenda é fácil e diz pouco. O que ajuda é o número efetivo de fontes: quantas fontes do mesmo tamanho dividiriam o dinheiro do jeito que a sua receita está dividida.

Publicado em Atualizado em 18 min
Neste artigo

Para saber de quantas fontes a sua receita depende de verdade, separe a receita do ano passado por fonte e transforme as participações num número só: quantas fontes do mesmo tamanho dividiriam o dinheiro do mesmo jeito. Esse é o número efetivo de fontes, e ele costuma ficar abaixo da quantidade de linhas da lista. Uma fazenda com cinco fontes, em que a soja traz 48% do dinheiro, depende na prática de umas 3,2 fontes do mesmo tamanho.

A seguir vêm a conta, as faixas para ler o resultado, como contar como uma só as fontes que têm ano ruim juntas, e a folha de uma página para guardar com os planos da fazenda.

Pense numa fazenda que fechou o ano com R$ 1.000.000 de receita em cinco linhas: R$ 480.000 de soja, R$ 210.000 de milho safrinha, R$ 180.000 de boi gordo, R$ 90.000 de leite e R$ 40.000 de arrendamento de pasto. Pela participação de cada uma, essas cinco linhas pesam como 3,2 fontes iguais. Depois o produtor rural anota o que faz cada linha subir e descer. As duas de grão dependem da mesma causa, as duas de pecuária dependem de outra, e contadas assim a fazenda depende de 1,8 fonte. A calculadora de diversificação da receita, feita pela Rurivia, que publica esta página, roda esses números, e a queda de 3,2 para 1,8 é o que vale guardar.

Ninguém na fazenda tem dificuldade para dizer quais são as atividades. O difícil, sem separar a receita do ano por fonte, é dizer quanto a fazenda depende de cada uma. A receita chega somada no extrato do banco, e o extrato não tem coluna que diga de onde veio cada depósito.

Como cinco linhas de receita viram um número só?

A participação de cada linha é a receita dela dividida pelo total. Eleve cada participação ao quadrado, some os quadrados e divida um pela soma.

Participações da receita da fazenda do exemplo, elevadas ao quadrado e somadas
Fonte Receita Participação Participação ao quadrado
Soja R$ 480.000 0,48 0,2304
Milho safrinha R$ 210.000 0,21 0,0441
Boi gordo R$ 180.000 0,18 0,0324
Leite R$ 90.000 0,09 0,0081
Arrendamento de pasto R$ 40.000 0,04 0,0016
Total R$ 1.000.000 1,00 0,3166

Cálculo da Rurivia a partir das participações de receita da fazenda do exemplo.

Um dividido por 0,3166 dá 3,16. Cinco fontes de R$ 200.000 cada dariam 5, e uma fonte só daria 1, então 3,16 quer dizer que essa fazenda se apoia como se tivesse três fontes do mesmo tamanho. A soma dos quadrados se chama índice de Herfindahl-Hirschman. Um menos essa soma, aqui 0,68, é o índice de diversificação, também chamado índice de Simpson, que vai de 0, com uma fonte só, até perto de 1, com muitas fontes iguais. Na calculadora, o índice aparece ao lado da contagem.

É o quadrado que dá peso às linhas grandes. Somar as participações não diz nada, porque elas sempre somam 1. Ao quadrado, a soja, com 0,48, entra com 0,2304, e o arrendamento, com 0,04, entra com 0,0016: a soja fatura 12 vezes mais e pesa 144 vezes mais. Uma linha pequena quase não mexe no resultado, e é isso que se quer de uma medida de dependência.

O inverso do índice já é usado na estatística agropecuária brasileira. Um capítulo do Ipea, o instituto de pesquisa econômica do governo federal, resenha um estudo que mediu a mudança na produção com “um índice de especialização, o qual consiste em calcular o inverso do índice de Hirschman-Herfindahl (IHH)”.

Por que converter em contagem, se o índice tem a mesma informação? Porque passos iguais no índice não são passos iguais em fontes. Índice de 0,90 quer dizer 10 fontes iguais, e 0,95 quer dizer 20: uma diferença que parece arredondamento na escala de 0 a 1 vira o dobro na contagem. O mesmo apareceu numa pesquisa com 46 famílias de agricultores em Libres, Puebla, no México, em que Arteaga e colegas acharam dois grupos com 0,912 e 0,958 nesse índice; convertidos pela Rurivia a partir dos números publicados, são 11,4 fontes contra 23,8. É por isso que a contagem é o número para ler primeiro.

Contra quais faixas ler o número?

Use faixas feitas com dados do campo. O mesmo capítulo do Ipea aplica aos municípios uma classificação de Sambuichi e colegas, construída sobre registros da agricultura familiar brasileira, com quatro classes no índice de diversificação. Exatamente 0 é um produto só, até 0,35 é especializado, até 0,65 é diversificado, e acima de 0,65 é muito diversificado. A fazenda do exemplo, com 0,68, cai na classe mais alta, e é por isso que contar juntas as fontes que falham juntas pesa tanto.

Cada corte tem o motivo escrito ao lado. “A classe dos especializados abrange os municípios que, apesar de terem pauta produtiva com mais de um produto, têm 80% ou mais do valor bruto da produção (VBP) agropecuária proveniente de apenas um deles.” E, na outra ponta, “Para ser classificado como muito diversificado, o município precisou apresentar pelo menos três produtos com pesos semelhantes no VBP.”

Os dois cortes batem com a conta. Uma fonte com 80% da receita entra sozinha com 0,64 na soma, o que deixa o índice entre 0,32 e 0,36, conforme o jeito de dividir os outros 20%; o corte de 0,35 cai nesse intervalo. Três fontes iguais dão soma de um terço e índice de 0,667, pouco mais que o corte de 0,65. Então os dois cortes são contagens antes de serem decimais: um produto com quatro quintos do valor, e três produtos de peso parecido.

As faixas publicadas para o comércio entre países não servem para a fazenda, porque foram feitas para vendas espalhadas por dezenas de parceiros. Na escala da Comissão Europeia, soma acima de 0,25 indica comércio concentrado em poucos parceiros, e de 0,15 a 0,25 é moderado. Ali, quatro fontes exatamente iguais, o melhor que uma fazenda de quatro fontes consegue, dão 0,25 e ainda contam como concentração moderada.

O que o número não pega quando duas fontes têm ano ruim juntas?

O número efetivo sai só das participações, e a participação não guarda nenhum sinal de quais fontes têm o mesmo ano ruim. Isso importa porque a proteção vem de fontes que falham em anos diferentes. A OCDE, que trabalhou com a contabilidade de fazendas de sete países, afirma que escolher uma combinação de culturas cujos retornos não andam perfeitamente juntos reduz a variação da receita total. Duas fontes que sempre sobem e descem juntas são uma fonte só com dois nomes.

Onde a seca pega todas as lavouras ao mesmo tempo, essa proteção encolhe. No mesmo relatório, a OCDE achou que na Austrália a produtividade das culturas anda mais junta, e a quebra de uma cultura tem mais chance de vir com a quebra de outra. Duas fazendas podem ter o mesmo índice de diversificação e riscos muito diferentes, conforme as lavouras delas quebrem nos mesmos anos ou não.

A OCDE achou também que o risco de preço tende a atingir todos ao mesmo tempo, e por isso os preços andam mais juntos do que as produtividades. Em outras palavras, duas culturas têm colheita ruim em anos diferentes com mais frequência do que têm preço ruim em anos diferentes. Uma segunda cultura protege você muito mais contra colheita ruim do que contra mercado ruim, e a fazenda cujo problema é preço costuma precisar de outra proteção, como um hedge ou uma venda antecipada com preço fixo.

Na calculadora, dá para levar isso em conta. Ao lado do nome e do valor de cada fonte há uma coluna de grupo, onde você escreve uma palavra curta para o que faz aquela fonte subir e descer, como “grão” ou “gado”. As fontes com exatamente a mesma palavra são somadas, e o resultado é o número efetivo agrupado, 1,8 no exemplo. Escreva a palavra sempre igual: “grão” e “grãos” viram dois grupos.

Montar os grupos de cabeça é arriscado, e a checagem é barata. Anote a receita por fonte dos últimos cinco a oito anos, com as fontes nas linhas e os anos nas colunas, e marque cada ano em que a fonte ficou abaixo da própria média. Duas fontes marcadas nos mesmos anos vão para o mesmo grupo, seja qual for o nome delas. Três anos de registro são pouco para essa checagem, e oito bastam. Uma fonte que existe há só dois anos não pode ser testada assim, então o grupo dela é um julgamento, e vale anotar isso ao lado.

Para cada par que aparecer, pergunte se as duas dependiam da mesma chuva ou do mesmo mercado, porque a resposta muda o que ajuda. Causa de clima pede uma atividade que falhe em outra época do ano ou em outro tipo de ano. Causa de mercado muitas vezes não se resolve com mais uma atividade, já que a nova pode ser vendida no mesmo ano de preço baixo.

Preencha o grupo de todas as fontes ou de nenhuma. Fonte sem grupo conta como um grupo só dela, o que supõe que ela não depende de nada em comum com as outras. Com dois grupos escritos e três fontes em branco, o número efetivo agrupado sai alto porque ninguém olhou aquelas três, não porque elas sejam independentes.

Há um limite que não tem conserto. O capítulo do Ipea lembra que o índice de diversificação pode ficar parado entre dois períodos mesmo quando a produção mudou muito, o que acontece quando a mudança deixa a participação de cada produto no valor onde estava. Troque todas as culturas da fazenda, mantenha as mesmas participações, e o número não se mexe.

Quanto custa diversificar?

Espalhar a receita em mais linhas tem custo. Mzyece e Ng’ombe usaram uma pesquisa nacional de domicílios rurais da Zâmbia e mediram a diversificação pela área de cada cultura. Eles acharam que diversificar culturas deixa a renda mais estável, mas reduz a eficiência técnica, isto é, a fazenda tira menos produção da mesma terra, mão de obra e insumo. Eles ligam isso à disputa maior por recursos entre as culturas: a mesma terra, as mesmas máquinas e a mesma atenção divididas entre mais atividades. Os dados são de famílias rurais da Zâmbia, então o tamanho do efeito pode não valer para uma fazenda maior, mas o mecanismo é conhecido de quem cuida de várias atividades.

No Nordeste brasileiro, Paschoalino, Parré e Chagas, com os censos agropecuários de 2006 e 2017, viram que a diversificação agrícola apareceu em relação inversa com a produção agrícola nas microrregiões: é dado de região, não de fazenda, mas vai no mesmo sentido.

Concentrar também pode ser força. Galeano, em estudo publicado pelo Incaper, o instituto de pesquisa agropecuária do Espírito Santo, lembra que “a especialização em si não é algo negativo e pode estar relacionada a ganhos de produtividade advindos de vantagens comparativas”. E a segunda atividade rende mais quando aproveita as máquinas, a mão de obra e o conhecimento da primeira, o que os economistas chamam de economia de escopo.

Seguro e hedge podem fazer parte do trabalho de uma segunda atividade. Nas simulações da OCDE, preços mínimos garantidos mais altos para cereais levaram os produtores rurais a se concentrar mais no trigo, que dá retorno maior, ainda que com mais variação. A fazenda que faz seguro da lavoura ou trava o preço compra parte da estabilidade que uma segunda atividade daria, sem a exigência de gestão dessa segunda atividade.

Quanto uma combinação de culturas fica mais estável? A OCDE mediu quanto a receita por hectare varia de um ano para outro em relação à média, o que a estatística chama de coeficiente de variação. Na comparação entre culturas sozinhas e a combinação que as fazendas plantam, a OCDE relata que a redução dessa variação muda de país para país e pode chegar à metade. Nos números da Alemanha, as culturas sozinhas variam de 0,16 a 0,31, e a combinação que as fazendas alemãs plantam fica em 0,12, mais estável que a mais estável das culturas. No relatório, esses números aparecem como simulados, não tirados da contabilidade, então leia o tamanho da diferença, não o decimal.

A troca, então, é receita mais estável contra alguma eficiência, e pesar isso é um julgamento que só quem está à frente da fazenda pode fazer.

Por que participação na receita não é participação na margem?

A calculadora divide receita, porque receita é o número que a fazenda tira direto dos próprios registros. O lucro fica de fora. Uma fonte pode ser um terço da sua receita e nada do seu lucro: boi terminado com ração comprada gira muito dinheiro e deixa pouco, enquanto uma linha pequena e quase sem custo pode segurar o ano. Então o número efetivo responde o que acontece com o dinheiro que entra se uma linha parar, e não qual linha dá lucro.

O lucro por linha é outra conta, tratada em três artigos deste site: a margem que você escreve antes de o ciclo começar, o menor preço que ainda cobre os seus custos e quanto uma lavoura deve deixar no fim do ciclo. Essa separação entre receita e lucro é a leitura da Rurivia sobre o que a conta aguenta, e não um achado das fontes citadas aqui.

Dá para rodar a mesma calculadora sobre a margem. Para cada fonte, pegue o que sobrou depois de pagar os custos que só existem por causa dela, e escreva esses valores no lugar da receita. Se o número efetivo na margem sair menor que na receita, a fazenda depende de menos fontes do que a primeira conta sugeria, e a maior linha na margem é a que segura o ano. Se sair maior, uma linha que fatura muito e sobra pouco estava fazendo a conta da receita parecer mais segura do que é. Fonte que deu prejuízo não entra nessa conta, e o prejuízo já é a resposta sobre ela.

O número também deixa o tempo de fora. Ele cobre doze meses já fechados, então um contrato assinado em novembro e uma linha que termina em março pesam igual nele, embora um some ao ano que vem e a outra saia. Ele também não diz quando o dinheiro entra: duas fontes iguais que pagam as duas em junho deixam a fazenda apertada de julho em diante. Para ver isso, rode a calculadora uma terceira vez com doze linhas, uma por mês. Pelo número efetivo de meses você vê se o caixa entra ao longo do ano ou em um ou dois meses.

O que fazer quando o número sai ruim?

“Diversificar” sozinho não é um passo, e os estudos citados aqui mostram que ele tem custo. Os passos a seguir estão em ordem do que custam, e os dois primeiros costumam ser pulados por parecerem baratos demais para contar como decisão.

Separe o comprador antes de separar a cultura. Duas fontes com nomes diferentes e um comprador só são uma fonte só. Um segundo comprador para o mesmo produto não muda nada no talhão e tira o risco de um comprador parar de pagar e a conta secar. Ele não protege nada contra preço, porque os dois compradores olham o mesmo mercado, então tenha claro qual dos dois riscos você tirou. O comprador de cada venda vai no plano de comercialização escrito antes do ciclo, ao lado do preço esperado, e esse preço sai de um registro dos preços da região com a fonte de cada um.

Mude o calendário, não só o produto. Uma fonte que paga em outro mês ajuda a conta do banco mesmo quando está no mesmo grupo da calculadora. O número efetivo não muda, mas o cheque especial muda.

Prefira a fonte cujo ano ruim tem outra causa. É o único passo que sobe o número efetivo agrupado, e não só o simples. Teste qualquer candidata: escreva o único evento que a faria falhar, e veja se esse evento já está escrito ao lado do seu maior grupo. Uma lavoura que quebra na mesma seca que a principal acrescenta uma linha à lista e nada ao número efetivo agrupado.

Mexa no tamanho do que você já vende antes de acrescentar algo, e em poucos movimentos grandes. Os 3,16 da fazenda do exemplo ficam abaixo dos 5 que cinco linhas iguais dariam, então há espaço dentro delas. Tirar 8 pontos de receita da soja e passar 4 para o leite e 4 para o arrendamento leva o número de 3,16 para 3,85, sem atividade nova. Uma atividade nova que valha um quarto da receita leva para 4,16, mas é uma atividade inteira. Três linhas novas de 3% cada levam para 3,78, quase o dobro de ganho por real deslocado, mas o estudo da Zâmbia liga muitas linhas pequenas a menos eficiência. As contas são da Rurivia.

Pense em comprar a proteção em vez de plantar. Quando a atividade concentrada é aquela em que você é melhor, a alternativa a uma segunda atividade é travar preço ou fazer seguro da primeira, como sugerem as simulações da OCDE. Dois artigos deste site tratam do lado do preço: qual preço sobra depois que você trava com futuros e se travar o preço agora compensa o que custa.

Decida as mudanças para o próximo ciclo, não para este. A composição da receita se define no plantio, não na venda. Essa decisão vai no plano escrito dos próximos três ciclos de produção, e o preço de cada linha vai no orçamento de três anos com o preço assumido por escrito.

Quando o índice já está bom, o risco é escorregar. No estudo do Incaper, Galeano mostra que o índice de diversificação do Espírito Santo, publicado como número efetivo, caiu de 9,12 em 2013 para 6,21 em 2022, enquanto o café passou de 38,86% do valor da produção para 50,81%. É um estado inteiro, não uma fazenda, e ninguém escolheu isso: aconteceu um bom ano de café de cada vez. A composição de uma fazenda pode escorregar do mesmo jeito, e por isso o número precisa de data de revisão, e não de uma medição só.

O que vai na folha de uma página?

Numa página datada, guardada com os planos da fazenda, você escreve nove coisas que a calculadora não calcula, já que ela só recebe um nome, um valor e um grupo para cada fonte. A página fica junto dos outros registros de planejamento da fazenda, cada um tratado nos artigos de planejamento da fazenda deste site.

Os doze meses medidos, e o que neles não se repete. Use os mesmos doze meses para todas as linhas. Ao lado, liste o que entrou naquele ano e não entra no próximo: uma máquina vendida, uma indenização de seguro, um pagamento do ano anterior que chegou atrasado, duas colheitas vendidas no mesmo ano porque uma atrasou. Cada uma dessas faz uma fonte parecer maior ou menor que o normal, e a conta não tem como saber. Sem essa lista, a composição de um ano passa pela composição de sempre da fazenda.

Uma linha por fonte, com o comprador nomeado. Não “grão”, e sim a empresa que pagou. É aqui que aparecem duas fontes com um comprador só.

O mês em que cada fonte paga de fato. A data do pagamento, não a do contrato.

O último ano ruim de cada grupo, e se dois grupos têm o mesmo. A causa que você escreveu é o que você acredita; o ano é o que aconteceu. Quando dois grupos apontam o mesmo ano, ou eles têm a mesma causa e são um grupo só, ou aquele ano foi ruim por dois motivos ao mesmo tempo. Nos dois casos, isso muda o que você planta.

O maior comprador, somado entre as fontes. É diferente da maior fonte, e em fazenda que vende mais de um produto para a mesma cooperativa ele muitas vezes é maior.

O que as suas fontes dividem além do preço e do clima. Duas linhas que precisam da mesma colhedora nas mesmas três semanas, da mesma equipe no mesmo pico, do mesmo galpão ou da mesma garantia no banco podem falhar juntas. Isso vale mesmo quando as causas de mercado e de clima delas são diferentes. A calculadora não tem lugar para isso, então você só enxerga se escrever aqui.

O próximo passo, e por que ele não divide causa com o maior grupo, mais o mês em que ele traria dinheiro pela primeira vez. A candidata que não passa nesse teste sai da lista.

O gatilho para refazer a folha, escrito como limite, por exemplo qualquer grupo passando de 60% da receita, mais uma data do calendário para refazer de qualquer jeito. Sem data, o escorregão passa sem ninguém notar.

Quem cuida da folha, porque registro sem dono tende a parar de ser atualizado no segundo ano.

Escreva a causa de cada grupo também na lista de riscos da fazenda; como ordenar essa lista é o assunto do artigo sobre quais riscos da fazenda merecem atenção primeiro. No exemplo, o grupo de grão é 69% da receita (48 da soja mais 21 do milho). Uma causa capaz de atingir tudo isso num ano vai no topo da lista de riscos, e não só numa folha de receita.

Por onde começar

Pegue os extratos bancários do ano passado e anote ao lado de cada depósito de onde ele veio. Só esse passo, antes de qualquer conta, é o que falta em muitas fazendas, e ele muitas vezes revela uma linha que ninguém contava como receita. Some cada fonte, rode os números na calculadora e depois faça a parte que a calculadora não faz: escreva, ao lado de cada linha, o único evento que a faria falhar. Quando duas linhas tiverem a mesma resposta, dê às duas a mesma palavra de grupo. Saber do que a fazenda depende antes de um ano ruim é parte de administrá-la, e a página de gestão de fazendas deste site trata do resto.

Ferramenta

A ferramenta faz a conta e deixa o juízo com você.

Você digita os seus números e o resultado atualiza sozinho. Nada do que você digita sai do seu aparelho.

Procedência

Deriva de
  1. Kimura, Anton e LeThi, Farm Level Analysis of Risk and Risk Management Strategies and Policies: Cross Country Analysis, OECD Food, Agriculture and Fisheries Papers n. 26, OCDE, 2010
  2. Comissão Europeia, Direção-Geral de Agricultura e Desenvolvimento Rural, Monitoring agri trade policy. Thematic analysis: diversification of EU agri-food trade, outubro de 2023
  3. Mzyece e Ng'ombe, Does Crop Diversification Involve a Trade-Off Between Technical Efficiency and Income Stability for Rural Farmers? Evidence from Zambia, Agronomy 10(12):1875, 2020 (revisada por pares, acesso aberto)
  4. Paschoalino, Parré e Chagas, Diversification, mid-term rainfall and agricultural production. An analysis of the Brazilian Northeast region, Revista de Economia e Sociologia Rural 63, e289389, 2025 (revisada por pares, acesso aberto)
  5. Arteaga Domínguez, Sánchez Morales, Romero Arenas, Ocampo Fletes, Rivera Tapia e García Pérez, Diversificación de ingresos de la agricultura familiar durante 2018 en Tehuatzingo, Libres, Puebla, Revista Mexicana de Ciencias Agrícolas 12(3), 2021 (revisada por pares, acesso aberto)
  6. Silva, Baricelo e Vian, Diversidade produtiva na agropecuária paulista: uma análise dos censos agropecuários de 2006 e 2017, capítulo 8 de Agricultura e diversidades, Ipea, 2022
  7. Galeano, Desempenho e diversificação da produção agropecuária no Espírito Santo, Incaper em Revista 15:76-93, 2024
O que este artigo cobre
Separar a receita do último ano por fonte e transformar as participações num número só, o número efetivo de fontes, que é um dividido pela soma das participações ao quadrado; ler o índice de diversificação contra faixas feitas com dados de estabelecimentos rurais, e não de comércio entre países; refazer a mesma conta depois de juntar as fontes que têm ano ruim ao mesmo tempo, para que elas parem de contar duas vezes; e escolher o próximo passo pelo critério de não dividir causa com o grupo que já domina.
O que ele não cobre
Se uma atividade é bom negócio, quanto uma lavoura vai render e para onde vão os preços. Ler o mercado e ler o talhão são competência do próprio leitor e a Rurivia não entra nelas. O índice não diz nada sobre margem: uma fonte pode ser um terço da receita e nada do lucro, e esta conta não separa as duas coisas. Também não é avaliação de risco, porque não pondera quão provável é cada ano ruim, nem é plano de caixa, porque duas fontes perfeitamente equilibradas no ano podem pagar as duas no mesmo mês.
Publicado
Atualizado
Erro encontrado
Aponte um erro e o artigo é corrigido com nota do que mudou.

Como citar este artigo

RURIVIA. De quantas fontes a sua receita realmente depende? [S. l.], 1 set. 2026. Disponível em: https://rurivia.com/pt-br/biblioteca/planejamento/de-quantas-fontes-a-receita-depende/. Acesso em:


Continue lendo

Planejamento

Cada operação foi feita dentro da janela que você planejou?

Numa folha de papel, uma linha por operação: a janela planejada, a data em que ela foi feita, se ficou dentro ou fora, os dias de atraso e o motivo. Leva uma tarde.

20 de set. de 2026
Planejamento

Se perguntarem o que foi feito no talhão, dá para consultar?

Em muitas fazendas, o que foi feito em cada talhão fica na cabeça de uma pessoa. Com um caderno de campo, uma linha por operação anotada no dia, qualquer pessoa consegue consultar depois.

13 de set. de 2026
Planejamento

Dá para provar quem recebeu qual orientação de segurança?

As orientações acontecem no dia a dia. Falta a folha que diz qual existe para cada atividade, e quem assinou por ela, em que data.

11 de set. de 2026
Planejamento

Quantas decisões da sua fazenda dependem só de você?

O risco para o futuro da fazenda não é faltar testamento. É que as decisões grandes ficam com uma pessoa só, e ninguém mais consegue tomá-las quando ela não está.

10 de set. de 2026

Gestão de Fazendas

Se este artigo fosse uma planta, a gestão da fazenda seria a lavoura inteira.

Planejar, organizar, dirigir e controlar: as quatro funções, o que cada uma decide, e um exemplo da fazenda para cada uma, reunidas numa página só.