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Diagnóstico
Ponto de Partida

Passo 2: Transforme o registro em números

Medir é virar o registro em número: quanto custa a sua unidade de produção, por área, nas três camadas de custo, para parar de decidir no escuro.

Atualizado em 5 min
Neste artigo

Você hoje

Você tem os papéis, o caderno, a planilha do Passo 1. Mas se alguém perguntar quanto custa produzir a sua unidade (a saca, ou a arroba, ou o litro), você não sabe responder com segurança. O registro está lá, ainda em estado bruto. Falta o trabalho que transforma anotação em número, e é esse número que separa quem decide de quem adivinha.

Por que este passo existe

Medir é pegar o que você registrou e transformar em números que dão para comparar. Sem medida, você não consegue distinguir um ano ruim de uma decisão ruim: o resultado veio fraco, e você não sabe se foi o clima, o preço ou uma escolha sua. Com medida, a diferença aparece.

E há uma armadilha que a medida revela: julgar por um único ciclo é julgar ruído. Nas fazendas de grãos do Kansas, entre 2005 e 2014, 76% não mantiveram uma posição de preço consistente frente aos vizinhos ao longo dos anos, e só 23% mantiveram a renda acima da média a década toda. Um ciclo, bom ou ruim, diz pouco sozinho. É a série de vários ciclos que começa a mostrar um padrão, e por isso medir cedo, e sempre do mesmo jeito, é o que constrói essa série ao longo do tempo.

O que medir

Quatro números, e o primeiro puxa os outros:

  • O custo por unidade, por área. Quanto você gastou para produzir cada saca, cada arroba, cada litro, em cada área de produção (o talhão, ou o lote). É o número mais importante da fazenda, e o que quase ninguém tem.
  • O trabalho e a máquina por área. Quanto de gente e quanto de máquina cada área consumiu, para você ver onde o custo se concentra.
  • O que cada área rendeu. A produção de cada talhão ou lote, para comparar as áreas entre si.
  • O preço que você obteve, contra o da região. O preço médio que você recebeu no ciclo, ao lado da referência da sua região no mesmo período.

Como fazer: calcular o custo por unidade

O cálculo é uma divisão, e você já tem as duas partes no registro do Passo 1. Some tudo o que a área custou no ciclo e divida pela produção daquela área. O resultado é o custo por unidade.

Faça em três camadas, da mais simples à mais completa, porque cada uma responde a uma pergunta diferente:

  • O custo direto: só o que você gastou de fato naquela produção (insumo, combustível, serviços, mão de obra da atividade). Responde “o preço de hoje cobre o que saí do bolso para produzir?”.
  • Mais a estrutura: some a depreciação da máquina e os custos que servem a fazenda toda, rateados. Responde “o preço cobre também o desgaste do que eu já tinha?”.
  • O custo total: some ainda a sua própria retirada e o custo do capital e da terra. Responde “vale mais a pena produzir, ou fazer outra coisa com a terra e o dinheiro?”.

Feche o custo do último ciclo em até 30 dias depois da colheita ou da terminação, enquanto os números ainda estão frescos e as notas à mão. Comece pela unidade (a saca, a arroba, o litro); os outros números vêm em seguida, do mesmo registro.

Por que ter disciplina

Dois motivos para medir sempre, e no prazo. O primeiro: o número perde valor se você atrasa, porque o detalhe some e você volta a decidir de memória. O segundo: uma medida sozinha diz pouco, e é a série de ciclos que ensina. Quem mede um ciclo e para fica com uma foto; quem mede todo ciclo, sempre do mesmo jeito, monta o filme, e é o filme que mostra se uma decisão foi boa. Medir vira valioso no segundo e no terceiro ciclo, não no primeiro.

Erros comuns, e como evitar

  • Julgar por um ciclo só. Um ano diz pouco. Meça sempre, para construir a série.
  • Esquecer o próprio trabalho. Um custo sem a sua retirada dá uma impressão falsa: parece que sobra, mas você não se pagou. Inclua a retirada no custo total.
  • Medir só o total da fazenda. O total esconde a área que dá prejuízo dentro da média. Meça por área.
  • Deixar para depois. Trinta dias depois já é tarde para muito detalhe. Feche logo após o ciclo.
  • Trocar o jeito de calcular a cada ano. Se o método muda, a série não compara. Fixe o cálculo e repita.

Por onde começar

Pegue o registro do último ciclo fechado e calcule uma coisa só: o custo direto por unidade de uma área. Some o que a área custou, divida pela produção dela. Esse primeiro número, sozinho, já muda como você olha o preço de venda. Os outros vêm depois, um a um.

Pronto quando

Você sabe quanto custa a sua unidade de produção, por área, nas três camadas; sabe quanto de trabalho e de máquina cada área consumiu; sabe o que cada área rendeu; e sabe o preço que obteve contra o da região. Em resumo: você consegue dizer, com número, quais áreas e quais atividades pagam a conta e quais não pagam.

O que este passo não cobre

Medir mostra o número; o que fazer com ele é dos próximos passos. E buscar mais produtividade em si, a técnica que faz a área render mais, é manejo, não gestão: fica com o agrônomo ou o veterinário. Aqui você aprende a enxergar o custo, não a aumentar a produção.