Escolher a tabela de manutenção errada muda em R$ 31.440 por ano a conta de uma colhedora de trigo nos Campos Gerais, no Paraná. A planilha da Fundação ABC dá R$ 127,80 de manutenção por hora para uma colhedora de R$ 1.150.000, e a norma da Conab resulta em R$ 23. Com a primeira, a colhedora própria que trabalha 300 horas por ano custa R$ 6.300 a mais do que contratar a colheita; com a segunda, custa R$ 25.100 a menos. Nenhuma tabela resolve a decisão de ter ou contratar. Escreva a hora da colhedora numa folha, com a nota fiscal de compra, o horímetro e o histórico de manutenção da concessionária, e compare com a tarifa do serviço contratado.
O horímetro é o marcador que conta as horas de motor ligado. A folha da hora da máquina reúne uma máquina numa página. Ela leva o preço da nota fiscal, os anos que você pretende ficar com a máquina, as leituras do horímetro do último ano e a manutenção ano a ano. Embaixo vai a tarifa do serviço contratado para o mesmo trabalho.
A hora própria é o custo de uma hora de trabalho da máquina da fazenda. A tarifa é o preço por hectare que um prestador de serviço cobra para colher com a máquina e o operador dele. O caso usa R$ 450 por hectare, valor hipotético, e 1,8 hectare por hora, a capacidade que a ABC dá à colhedora.
O preço, a vida, a revenda, o juro, o combustível e o operador vêm da ABC e da Conab, e a manutenção por hora é a que cada uma das duas fontes dá. Só a tarifa é inventada, e cada quadro avisa.
Quanto da hora é só ter a colhedora?
Ter a colhedora custa duas coisas que correm com ela parada ou trabalhando: o valor que ela perde por ano e o juro do dinheiro parado nela. A planilha da ABC avisa que o custo por hora só vale para um número de hectares por ano, 540 para a colhedora: com menos uso o custo sobe, com mais ele cai. O quadro mostra como sai o custo de ter, e a tabela o divide pelas horas.
| Horas trabalhadas no ano | Custo de ter por hora |
|---|---|
| 150 horas | R$ 1.004,33 |
| 200 horas | R$ 753,25 |
| 300 horas | R$ 502,17 |
| 450 horas | R$ 334,78 |
Passar de 450 horas para 150 triplica o custo de ter por hora, de R$ 335 para R$ 1.004, sem que nada na máquina tenha mudado. Por isso a folha usa as horas que o horímetro registrou, nunca as que você esperava. O combustível e o operador entram depois, ao lado da tarifa, e o artigo sobre a conta de diesel contra o horímetro trata do combustível.
Por que a declaração de imposto não dá esse número?
A regra fiscal foi escrita para calcular o imposto, não para medir o desgaste da máquina. No regulamento do imposto de renda, os investimentos são considerados despesas no mês do pagamento, e a lista inclui tratores, implementos e máquinas de uso exclusivo na atividade rural. Se a fazenda deduz a colhedora assim, os R$ 1.150.000 saem da apuração no ano do pagamento e nada sai nos nove anos seguintes, embora ela continue colhendo. O contador diz como a fazenda declara.
Esse é o número certo para a declaração e o errado para a hora. O manual de estatísticas de custo de produção agrícola da FAO separa a depreciação econômica da contábil ou fiscal e diz que os dois métodos dão resultados parecidos apenas por coincidência.
Com o número fiscal na folha, uma colhedora deduzida no primeiro ano não custa nada por hora a partir do segundo. A hora própria parece mais barata do que a tarifa por um motivo errado. O mesmo número baixo, usado para achar o menor preço que a fazenda aceita, deixa esse preço baixo demais. Qual regime a fazenda usa é assunto do contador, e o artigo sobre qual regime tributário a fazenda usa mostra como descobrir. A folha fica com o número da primeira seção.
Qual manutenção por hora usar?
As duas fontes brasileiras dão números muito diferentes. A Conab calcula a manutenção da colhedora em 1% do valor do bem novo, dividido pelas 500 horas de uso por ano que resultam de 5.000 horas em 10 anos. A ABC usa 50% do valor inicial, dividido pelas 4.500 horas de vida útil da colhedora.
Calcante e colegas, a partir de bancos de dados de concessionárias e oficinas autorizadas da Itália, estimam a manutenção de uma colhedora autopropelida em 23,1% do preço em 3.000 horas, contra 40,2% no modelo-padrão americano. Na colhedora do caso são R$ 88,55 e R$ 154,10 por hora, e as quatro estimativas vão de R$ 23 a R$ 154.
A manutenção também sobe com a idade. A tabela do Iowa State para a colhedora autopropelida vai de 6% do preço de lista em 1.500 horas a 25% em 3.000. Nas últimas 300 horas a manutenção por hora passa de quatro vezes a das primeiras 1.500. O número que decide a troca é o do ano que vem, não a média dos anos que passaram.
O histórico real está na concessionária. Solicite o histórico da máquina pelo número de série, some as notas de reparo da fazenda e escreva a manutenção por hora de cada ano, um embaixo do outro. A coluna mostra se a curva está subindo e qual número usar no ano que vem.
A partir de quantas horas por ano a colhedora vence o serviço contratado?
A tarifa é o preço do trabalho inteiro, então a colhedora da fazenda tem de ser medida do mesmo jeito: custo de ter, manutenção, combustível e operador. A ABC dá R$ 163,60 de combustível e R$ 37,51 de operador por hora, que somam R$ 201,11. Com R$ 450 por hectare e 1,8 hectare por hora, a tarifa sai a R$ 810 por hora.
| Horas trabalhadas no ano | Custo de ter por hora | Hora própria com a manutenção da Conab | Hora própria com a manutenção da ABC |
|---|---|---|---|
| 200 horas | R$ 753,25 | R$ 977,36 | R$ 1.082,16 |
| 250 horas | R$ 602,60 | R$ 826,71 | R$ 931,51 |
| 300 horas | R$ 502,17 | R$ 726,28 | R$ 831,08 |
| 350 horas | R$ 430,43 | R$ 654,54 | R$ 759,34 |
| 450 horas | R$ 334,78 | R$ 558,89 | R$ 663,69 |
Acima do equilíbrio a máquina própria custa menos, e abaixo dele custa menos o serviço contratado. A 300 horas por ano, a fazenda do caso fica R$ 83,72 por hora abaixo da tarifa com a manutenção da Conab e R$ 21,08 por hora acima dela com a da ABC. A escolha da tabela desloca o equilíbrio em 56 horas por ano.
Os R$ 450 por hectare são hipotéticos. Consulte o prestador de serviço que você chamaria de fato, escreva a cotação na folha com a data e compare com a sua hora própria. O artigo sobre se esse investimento se paga trata da próxima compra.
Qual máquina entra primeiro na folha, e quanto tempo leva?
A que trabalha menos horas por ano, e o primeiro papel é a nota fiscal de compra, porque o preço, o ano e o número de série abrem a folha. Como a primeira seção mostra, essa máquina carrega o maior custo de ter por hora, então é a mais provável de custar mais do que contratar. A folha leva cerca de três horas, a maior parte esperando o histórico da concessionária.
Uma folha por máquina faz parte da gestão da fazenda; veja a gestão de fazendas e os artigos de finanças para as perguntas vizinhas.